Quando o fornecedor emite uma NF-e com CFOP 6.102 (venda de mercadoria de produção do estabelecimento, interestadual), o destinatário precisa escriturar essa nota com CFOP 2.102 (compra para comercialização, interestadual). Esse mapeamento automático entre o CFOP da saída e o CFOP da entrada chama-se “de-para” — e configurá-lo corretamente no início poupa centenas de correções manuais durante o ano.
A lógica do padrão SEFAZ: 5 vira 1, 6 vira 2, 7 vira 3
A Tabela de CFOP do CONFAZ segue uma estrutura simétrica para entradas e saídas:
- 5xxx (saída estadual) → 1xxx (entrada estadual)
- 6xxx (saída interestadual) → 2xxx (entrada interestadual)
- 7xxx (saída exterior) → 3xxx (entrada exterior)
O padrão é trocar o primeiro dígito e manter os três últimos. CFOP 6.102 vira 2.102. CFOP 5.405 vira 1.405. Esse padrão é o comportamento default — e resolve a maioria das operações de compra e venda de mercadorias.
O problema é que nem toda operação segue exatamente esse padrão. Devoluções, transferências entre filiais, importações indiretas, operações com ST e bonificações têm CFOPs específicos que não seguem a conversão automática. Nesses casos, é preciso configurar regras específicas de de-para.
Três níveis de prioridade na configuração
O BoxFiscal implementa três níveis de prioridade para as regras de CFOP de-para, em ordem decrescente:
Regra específica por empresa + fornecedor
O mais granular. Útil quando um fornecedor específico usa um CFOP não convencional que precisa ser mapeado de forma diferente do padrão da empresa.
Regra geral da empresa
Aplica-se a todos os fornecedores sem regra específica. Aqui ficam as exceções que valem para a empresa inteira — como o tratamento de devoluções ou transferências.
Padrão SEFAZ
O fallback. Se não houver regra no nível 1 nem no nível 2, o sistema converte pelo padrão (5→1, 6→2, 7→3).
Essa hierarquia permite que o escritório configure uma vez as exceções mais comuns — e deixe o padrão SEFAZ resolver o restante automaticamente.
Exemplos práticos de operações que precisam de regra específica
Algumas situações comuns que exigem regra de de-para diferente do padrão:
- Devolução de compra interestadual: o fornecedor emitiu com CFOP 6.102; a empresa devolveu com CFOP 6.202. Na entrada, o correto é 2.202 (devolução de compra para comercialização), não 2.102.
- Transferência entre filiais: CFOP 6.151 (transferência de produção do estabelecimento) vira 2.151 na entrada da filial destinatária — mas se a empresa tratar como “compra interna” por erro, pode gerar crédito indevido de ICMS.
- Aquisição de ativo imobilizado: CFOP 6.551 (venda de bem do ativo imobilizado) vira 1.551 ou 2.551 na entrada — e tem tratamento diferente de PIS/COFINS (crédito em 48 parcelas para Lucro Real).
- Bonificação / brinde: CFOP 5.910 (remessa em bonificação) pode precisar ser mapeado para 1.910 com isenção de ICMS, dependendo do estado.
- Descontinuação de CFOP: atenção ao CFOP 5.929, que sofreu restrição pelo Ajuste SINIEF 32/25 — veja o que mudou no guia sobre CFOP 5.929 em 2026.
Importação via CSV no layout Domínio
Escritórios que já usam o Domínio Sistemas têm as regras de CFOP de-para parametrizadas no módulo fiscal do sistema. O BoxFiscal importa essas regras diretamente do CSV exportado pelo Domínio — sem precisar redigitar todas as entradas uma a uma.
O processo na tela /config/cfop-de-para é simples: exportar a tabela do Domínio, fazer upload no BoxFiscal, confirmar o mapeamento. As regras ficam ativas imediatamente para a empresa correspondente, preservando exatamente a parametrização que o escritório já tinha.
Essa integração com o Domínio Sistemas existe para que o BoxFiscal seja um complemento — não uma substituição. Para ver o processo de exportação de XMLs para o Domínio em detalhes, incluindo o passo a passo para escritórios, veja o guia de exportação XML para o Domínio Sistemas. O contador mantém o Domínio como sistema contábil oficial e usa o BoxFiscal para a captura automática, a pré-apuração e a organização dos XMLs, com exportação de volta ao Domínio em 1 clique.
Como conferir se o de-para está correto
Depois de configurar as regras, o auditor de inconsistências do BoxFiscal ajuda a validar. A regra R006 — CFOP incompatível com papel da empresa — detecta quando uma nota recebida tem CFOP de saída ou vice-versa. Se uma regra de de-para estiver mapeando incorretamente, o auditor vai sinalizar as notas afetadas.
O Relatório CFOP também é um bom instrumento de conferência: ele agrupa as operações por CFOP e mostra a pré-apuração de ICMS no estilo do registro E110 do SPED. Se o saldo de débito/crédito parecer incomum para uma determinada operação, vale verificar se o CFOP de entrada está correto.
Para a gestão de documentos fiscais e a pré-apuração confiável, o de-para correto é a base. Um CFOP errado na entrada pode gerar crédito indevido, e um CFOP errado na saída pode gerar débito a menor — os dois visíveis para a Receita no cruzamento com o SPED.
Checklist para configuração inicial
Antes de ativar a captura automática para um novo cliente, vale passar por esses pontos:
- O regime tributário do cliente (Simples, Presumido, Real) está correto no cadastro?
- As exceções de CFOP do segmento do cliente estão mapeadas (ativo imobilizado, devoluções, transferências)?
- Fornecedores com CFOPs não-padrão têm regra específica configurada?
- O CSV do Domínio foi importado (se aplicável)?
- O auditor R006 foi rodado para o primeiro mês capturado para validar?
Cinco verificações que poupam horas de ajuste depois do SPED já transmitido. Os recursos do BoxFiscal incluem documentação detalhada do formato CSV de importação e dos campos disponíveis na configuração de CFOP de-para por empresa e por fornecedor.
Conclusão
O CFOP de-para não é detalhe de configuração — é a base da escrituração correta de entradas. O padrão SEFAZ (5→1, 6→2, 7→3) resolve a maioria dos casos, mas as exceções precisam ser configuradas antes de processar o primeiro mês. Fazendo isso uma vez, o escritório garante que a pré-apuração no BoxFiscal bate com o que o Domínio vai escriturar — sem divergência entre sistemas.
